Surfistas mulheres celebram igualdade no esporte em etapa de Itacaré



Chloé, Silvana e Nicole: de bem com a maneira como são tratadas do surf 

"Acabei de cair no mar sozinha. Mas isso já é normal”, relata a longboarder carioca Chloé Calmon, 23, durante preparativos para a 2ª edição do Neutrox Weekend, em Itacaré (BA), apenas para surfistas mulheres. Vice-campeã mundial em 2017, ela lembra que já saiu chorando do mar após comentários machistas, mas hoje celebra bons ventos para o surfe feminino, como maior número de campeonatos que envolvem mulheres. Vice-campeã mundial de surfe, a cearense Silvana Lima, 33, também vê as mudanças com bons olhos. . Para ela, a estreia do esporte na Olimpíada de Tóquio-2020 dará visibilidade definitiva às mulheres dentro das águas. 

Uma década atrás, quando ainda estava debutando no mar, aos 13 anos, Chloé constantemente era vista sozinha em meio aos homens. Percebia os olhares tortos e até tentativas de tirá-la da onda. “Aqui não é lugar de mulher”, ouviu de um marmanjo que aparentava ter a idade de seu pai, o surfista Miguel Calmon, 61. Foi para a areia chorando, mas não se abateu. Apesar de não ter ouvido mais gracinhas desse tipo, confirma que o machismo ainda existe, em menor escala. “Depois que você mostra seu trabalho e se impõe, diz que tem o mesmo direito que eles, acabam tendo que respeitar”, decreta ela. “E se falarem alguma coisa, vão ouvir também”, ela enfrenta. 

E de tanto se impor como surfista – e mulher - , a atleta subiu mais um andar nessa onda: a estreia do longboard no Panamericano de 2019. “Esse será o melhor ano em termos de competição e premiação. O long estava sem circuito havia quatro anos. O circuito nacional sai fortalecido”, diz. São conquistas como essa que, segundo ela, tendem a aumentar o número de mulheres nas ondas. 

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